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5 mil funcionários serão afetados no Brasil e Argentina, diz Ford

O impacto na economia, quando levados em conta fornecedores e terceirizados, deve ser bem mais significativo, segundo o setor.

11/01/2021 19h59
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Por: Redação Fonte: R7
Ford tem enfrentando quedas nas vendas no Brasil - FORD DIVULGAÇÃO
Ford tem enfrentando quedas nas vendas no Brasil - FORD DIVULGAÇÃO

A Ford afirmou que 5 mil funcionários serão impactados com o fechamento de fábricas no Brasil e na Argentina – no país vizinho, no entanto, as unidades de produção serão mantidas. Mas o impacto na economia, quando levados em conta fornecedores e terceirizados, deve ser bem mais significativo, apontam fontes do setor.

A montadora, que já tinha encerrado, em 2019, a produção em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, comunicou que vai fechar neste ano as demais fábricas no País: Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka; Taubaté (SP), que produz motores; e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

Serão mantidos no Brasil a sede administrativa da montadora na América do Sul, em São Paulo, o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP).

A Ford, assim como todo o setor automotivo, vem enfrentando forte quedas nas vendas no Brasil. As perdas da montadora têm sido ainda piores do que a média do mercado. No acumulado de 2020, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a fatia da montadora americana era de 7,14%, atrás de General Motors, Fiat, Volkswagen e Hyundai, considerados os automóveis e comerciais leves.

Em 2020, foram emplacados cerca de 2 milhões de carros, conforme dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A Ford foi responsável por 118,4 mil, considerando apenas os automóveis, uma queda 39,7% em relação a 2019, quando o total chegou a 196,3 mil unidades. O Ford Ka foi o sexto modelo mais vendido non Brasil no ano passado. Em 2019, ele ocupou a segunda posição, segundo dados da Fenabrave.

Em comunicado, a Ford informa que tomou a decisão após anos de perdas significativas no Brasil. A multinacional americana acrescenta que a pandemia agravou o quadro de ociosidade e redução de vendas na indústria. "A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável", afirmou, em nota, Jim Farley, presidente da Ford.

As vendas do EcoSport e do Ka serão encerradas assim que terminarem os estoques. A empresa informa que vai trabalhar "imediatamente" em colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano "justo e equilibrado" para minimizar os impactos do encerramento da produção. Primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, a Ford está no Brasil desde 1919.

A decisão de fechar as linhas de manufaturas brasileiras segue uma reestruturação dos negócios na América do Sul. A montadora diz que seguirá importando no Brasil utilitários esportivos, picapes, como a Ranger, e veículos comerciais de fábricas da Argentina, Uruguai e outras origens, mantendo "assistência total" ao consumidor brasileiro com operações de vendas, serviços, peças de reposição e garantia. Informou ainda que planeja acelerar o lançamento de diversos novos modelos conectados e eletrificados.

A decisão da Ford de encerrar a produção no Brasil terá impacto financeiro de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, conforme informação divulgada pela montadora no anúncio de fechamento de três fábricas no País.

Do total, cerca de US$ 2,5 bilhões terão impacto direto no caixa do grupo americano, sendo, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos. Outros US$ 1,6 bilhão decorrem de impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos.

No anúncio da decisão, Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, destacou que, após reduzir custos em "todos os aspectos do negócio" e encerrar produtos não lucrativos, incluindo o fim da produção de caminhões, o ambiente econômico desfavorável, agravado pela pandemia, deixou claro que seria necessário "muito mais" para dar sustentabilidade e rentabilidade à operação.

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