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SAÚDE Vacina Covid-19

CoronaVac traz níveis elevados de proteção para pessoas com HIV, indicam estudos do Brasil e da China

Nenhuma reação adversa séria foi relatada durante o estudo, seja entre pessoas com HIV ou nos participantes não imunossuprimidos.

23/11/2021 às 13h20 Atualizada em 23/11/2021 às 13h28
Por: Redação Fonte: Butantã
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Imagem: Reprodução
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Dois estudos científicos publicados por pesquisadores do Brasil e da China evidenciam que a CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19, é segura e capaz de gerar níveis elevados de proteção contra o SARS-CoV-2 em pessoas infectadas pelo vírus HIV, causador da AIDS.

O trabalho “Safety and Immunogenicity of CoronaVac in People Living with HIV”, realizado por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e publicado em setembro na plataforma de preprints SSRN, avaliou a segurança e imunogenicidade da CoronaVac em 215 pessoas que vivem com HIV, na comparação com 296 pessoas sem imunossupressão conhecida. Todos os participantes receberam duas doses de CoronaVac com um intervalo de 28 dias. 

Quatro semanas após a segunda dose da vacina, a porcentagem de participantes com positividade para anticorpos neutralizantes SC e NAb foi alta tanto para o grupo com HIV quanto no grupo controle. Nenhuma reação adversa séria foi relatada durante o estudo, seja entre pessoas com HIV ou nos participantes não imunossuprimidos. 

No entanto, os pesquisadores encontraram diferenças nos parâmetros de imunogenicidade entre as pessoas com HIV. Os linfócitos T CD4 (células CD4) ajudam a coordenar a resposta imune, estimulando outras células imunes como os linfócitos B (células B) e T CD8 (células CD8) a combater a infecção. O vírus HIV enfraquece o sistema imunológico, destruindo as células CD4. Decorridos 69 dias da primeira dose da CoronaVac, os participantes com contagem de células T CD4 menor que 500 células/mm³ tinham imunogenicidade mais baixa contra o vírus SARS-CoV-2 quando comparados aos membros do mesmo grupo com contagem maior ou igual a 500 células por mm³.

A partir dessa análise, os pesquisadores concluíram que as pessoas com HIV e contagem maior ou igual a 500 células T CD4 por mm³ tinham 2,26 vezes mais chances de apresentar positividade na atividade dos anticorpos neutralizantes quando comparadas aos com contagem de células T CD4 por mm³ menor que 500. Em relação aos participantes do grupo controle, esse indicador era 3,21 vezes maior.

“Nossos resultados mostraram que a CoronaVac tem imunogenicidade robusta em pessoas vivendo com HIV após um regime de duas doses, mas as respostas de anticorpos nesta população são um pouco mais baixas do que em indivíduos não imunossuprimidos”, afirmam os autores. “Estratégias devem ser desenvolvidas para melhorar a imunogenicidade induzida por vacina entre as pessoas vivendo com HIV, especialmente no subgrupo com baixas contagens de células T CD4. Uma abordagem possível é usar uma dose de vacina de reforço ou mesmo administrar títulos de antígeno mais altos por dose de vacina”, concluem eles.

Em outubro, outro estudo realizado por pesquisadores chineses e publicado na plataforma SSRN também trouxe evidências de que a CoronaVac é segura para pessoas vivendo com o vírus HIV, e que as pessoas deste grupo, quando totalmente imunizadas no esquema de duas doses da vacina do Butantan, podem alcançar níveis elevados de proteção contra o SARS-CoV-2, similares aos observados nos indivíduos HIV-negativos.

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A Covid-19 e o HIV

Um relatório publicado em julho pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) analisou mais de 168 mil pessoas hospitalizadas com Covid-19 em todo o mundo e concluiu que a incidência da forma mais grave da doença e o número de mortes intra-hospitalares eram maiores em pessoas que vivem com HIV, independentemente de idade, sexo e comorbidades. Estima-se que mais de 38 milhões de pessoas vivam com HIV em todo o mundo, sendo 1 milhão delas no Brasil.

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